9 de janeiro de 2014

Inicialmente limitado pelas palavras,
Pois estas parecem querer fugir,
Percebo um enigmático bloqueio poético,
Na inexpressividade do pensamento.


Os versos estão aprisionados por correntes,
As chaves encontram-se perdidas, esquecidas,
Obscurecidas na inconsciência, junto ao passado,
Na mais profunda imensidão do ser humano.


Contido pela fronteira dos sentimentos,
Que não por falta, mas por excesso se difundem,
Confundem-se, tornando-os mais um obstáculo,
Outra pedra da muralha que me separa do eu poético.


Abarcado nesse mar de situações hipotéticas,
Alço voo, voraz como um albatroz,
Visitando lugares que só a imaginação alcança,
Viajando sem rumo à procura de poesia.
No alto da montanha repousam meus sonhos
Esperando por minha escalada rumo a eles
No alto da montanha repousam minhas esperanças
Aguardando apenas um pouco mais de fé

Na floresta se escondem meus segredos
Aguardando a coragem da verdade
Na floresta se escondem meus medos
Esperando serem enfrentados e superados

No fogo queimam meus arrependimentos
Esperando que acabe com lenha que o alimenta
No fogo queimam meus erros
Aguardando que eu aprenda com eles

Nas estrelas se encontram minhas dúvidas
Aguardando que o tempo possa sana-las
Nas estrelas se encontram minhas lembranças
Esperando para que eu possa conta-las.

No mar navegam meus sentimentos
Esperando viajar por todas as direções
No mar navega o meu amor
Aguardando um lugar onde possa aportar

13 de dezembro de 2011

Tamanha felicidade


Tamanha felicidade passageira
Diante dos meus olhos você se esvai
Some de minha vida de repente
Como saber se voltará para mim?

Tamanha felicidade reluzente
Tua luz se apaga cada vez mais
Antes que o escuro se faça presente
Como saber se voltará a brilhar?

Tamanha felicidade indigente
Sumiu sem dizer quem és tu
Agora no âmbito da solidão
Como saber quem será você?

Tamanha felicidade traiçoeira
Não disse que a tristeza te acompanha
Que fica à espreita de sua partida
Para aumentar o vazio que tu provoca.

Tamanha felicidade reincidente
Vem e volta de demasiadas formas.
Prefiro sofrer em te ter por pouco tempo,
Que não procurar mais tê-la em minha vida.

Onde está o amor?


O vermelho que vejo no mundo
No chão se desprende da vida
Representa a triste partida
Do amor que não voltará

Esse vermelho que inunda meu ser
Em meu corpo me dá força
Em meu coração me dá felicidade
Difunde e se confunde com o amor

Esse vermelho que vejo nas ruas
Representa vidas perdidas no tempo
Antagônico ao que se espera do homem
Avesso ao amor que ficou para trás

Hoje o vermelho não é mais o amor.
Onde está o amor?
Morto na rua, estirado, apagado pelo ódio.
Esquecido pelo tempo e pelo homem.

O amor que existira e se foi
Foi-se ao redor daquele que amou,
Em uma tentativa de se mostrar
O sangue vivo tentou lembrar o que é amor
Para aqueles que têm ódio em amar.

De onde venho


Os dias e as noites passam
As horas se perdem no tempo
Preso no acaso da solidão
De não ter para onde seguir
Não ter como compartilhar
Esse momento feliz de estar aqui
Esse sorriso e esse olhar
Tudo que me faça lembrar

De onde venho e como cheguei até aqui
E com um sorriso passo a bola para frente
O que me importa é chegar ao final
Poder dizer que fiz tudo o que queria
E fiz todo o possível para ser feliz.

As semanas passam como vento
O tempo não se faz presente
Preso na solidão que apavora
De não ter alguém para amar
Não ter com quem compartilhar
Esse momento feliz de estar aqui
Esse sorriso e esse olhar
Tudo que me faça lembrar

De onde venho e como cheguei até aqui
E com um sorriso passo a bola para frente
O que me importa é chegar ao final
Poder dizer que fiz tudo o que queria
E fiz todo o possível para ser feliz.